Beleza: cheguei aos 40 e não consigo aceitar a passagem do tempo!

Vamos ser sinceras? Vamos falar a verdade? Vamos tirar esse véu da frente de nossos olhos para enxergarmos melhor? Nós não somos as mesmas de 20 anos atrás. Nossa pele envelheceu um tanto, se tornou mais flácida, algumas ruguinhas surgiram, manchas resolveram pipocar daqui e dali. Aquelas bochechas firmes, que reluziam, não existem mais. A pele com a cor uniforme, lisa, deixou saudades.Algumas de nós aparecem com varizes, outras engordam com a menopausa (corrigindo: todas nós engordamos com a menopausa. Poucas exceções não vão enfrentar esse problema), muitas pintam os cabelos porque os fios brancos começam a aparecer, causando desconfortos. Essa é a lei da vida, é o que acontece com todas nós, ricas ou pobres, negras ou brancas, altas ou baixas. Ninguém escapa. A maturidade nos transforma fisicamente e essa transformação causa estranhamento, para usar um termo bem suave. Em muitas de nós, essas transformações causam dor.

Na fase em que nos encontramos, não é raro vermos mulheres sofrendo muito em razão da irreversibilidade do tempo. A passagem do tempo é vista como inimiga, uma vilã das mais cruéis, não perdendo em maldades para nenhum dos piores vilões das novelas globais ou de nossos livros preferidos. Acontece que o envelhecimento é físico, mas internamente nos sentimos no auge de nossos 25 anos, cheias de vontades, de planos, com sede de realização. Queremos o mundo, porém nossos corpos nos limitam.

Vou te contar a minha experiência. Meu primeiro sinal de envelhecimento, pelo menos o primeiro que me incomodou muito, foi precisar de óculos para ler. Veja bem, eu usei óculos a vida inteira e nunca achei um problema estar de óculos, porém eu não era dependente dessa coisinha de vidro. Lá pelos meus 37, 38, tive que procurar o oftalmologista, que me disse: “vou te segurar até os quarenta sem os óculos para perto, porque depois que você começar a usar lentes para ler, nunca mais vai conseguir ficar sem”. O que aconteceu? Aos quarenta, corri de volta para o médico e exigi as lentes. Eu não estava enxergando! Nesse momento, me voltaram na lembrança uma série de pensamentos da adolescência. Lembrei que ficava intrigada com o fato de minha mãe nunca tirar os óculos. Ela tem os olhos tão lindos, verdes…Porque eles nunca estavam livres, sendo “mostrados”? Eu estava começando a entender.

Naquela época eu pensava que iria a festas e teria que tirar o óculos. Daí não enxergaria. Daí cairia estatelada no chão, na frente de todo mundo, e que seria o mico do século (sim, minha veia dramática estava dando urros de felicidade!). E pensava que não conseguiria me maquiar direito. Mas o tempo passou, e tudo se ajeitou, obviamente.

Depois, o corpo começou a dar sinal de que não tinha tanta energia quanto antes. Isso foi péssimo. Me senti um lixo, nesse momento. Num ano, eu corria com meu filho mais velho na praia, e ele pedia para eu ir mais devagar, porque não tinha fôlego. No outro ano, já não podia mais acompanhá-lo. Imediatamente me lembrei de meu pai, conversando comigo, quando eu tinha meus quinze anos de idade. Ele dizia: “sabe, filha? A gente tenta fazer certas coisas, quer fazer certas coisas, mas o corpo não ajuda…” Eu, que sempre prezei o fato de gostar de correr, de ter energia e disposição para isso, não estava conseguindo entender essa transformação toda. O tempo passou, e tudo se ajustou, novamente. Eu continuo correndo, tanto quanto antes, mas talvez com menor velocidade. Ok, é a vida…

Por fim, a última das transformações que me importaram (as que vieram depois, tirei de letra!), foi perceber meus vincos de expressão, a testa marcada, também os sulcos ao redor da boca (o famoso bigode chinês). A passagem do tempo se tornou evidente em meu rosto. Passei a não me sentir bonita. Não o suficiente. Precisei de um tempo para entender que estava tudo bem e que eu continuava tendo meus encantos, diferentes daqueles que tinha aos vinte. Mas deixa eu esclarecer o que estou dizendo. Não, eu não me deprimi. Não, a coisa não foi tão feia quanto está parecendo. Essas sensações todas, de estranhamento, de não me sentir bonita o suficiente, não eram percepções que estivessem comigo durante o dia, atrapalhando minha rotina, infernizando minha vida. Estavam mais como um grilinho falante, alguma coisa lá no fundo da mente, escondidinha, incomodando mas não paralisando. Nunca houve depressão em razão dessas percepções. Estranhamento sim, depressão não. Porém, para muitas mulheres, é a depressão que prevalece.

Algumas de nós entram em um poço que parece não ter fundo. Cada ruga que percebem lhes leva alguns centímetros de altura. A cada vislumbre da passagem do tempo, parecem encolher para não serem notadas. Muitas mulheres começam a desejar a escuridão, não a luminosidade. Se pudessem, sairiam de burca. Uma pessoa que conheci, deixou de usar cores vibrantes antes dos 45 anos. Só usava marrom, bege, cinza, preto e marinho, não por escolha de estilo, de moda. Longe disso! Deixou de usar porque cores vibrantes fazem a gente “aparecer muito”. Ela não queria ser vista, ser notada.

Mas, vamos falar sério de novo? Não é na pele lisa que está nosso valor. Não é na falta de manchas que está nosso caráter. Não é na falta de rugas que reside nossa inteligência. Não é nos quilos a menos que mora nossa capacidade de amar, de realizar, de sermos felizes! Ter mais idade não é sinônimo de ser pior, ou melhor, do que as mulheres mais jovens. E, quando éramos mais jovens e tínhamos tudo no lugar, também não éramos melhores que as mulheres mais velhas. Ninguém é melhor que ninguém. Cada pessoa tem seu lugar no mundo, suas qualidades, seus defeitos. Cada pessoa tem suas potencialidades, sua maestria. Cada fase da vida tem sua beleza, seus encantos.

A passagem do tempo tem suas estranhezas, não podemos negar. E daí? Cada idade tem sua beleza, cada ciclo tem suas potencialidades, suas dificuldades, suas descobertas, seus assombros. Quando você tinha seus doze, treze anos, garanto que parecia um bichinho da goiaba. Aos quinze, talvez estivesse cheia de espinhas e com dúvidas atrozes. Aos 17, estava sofrendo por amor, achando que estava gorda e que era por isso que o menino não lhe queria, enquanto ele apenas não a queria porque não a queria, sem nem enxergar se você tinha gordura a mais ou a menos. Aos 21, você sofria com a celulite que teimava em aparecer, mas que só você enxergava. Ou com o cabelo que não crescia, ou com um calombo no  nariz do tamanho do Maracanã (para você, obviamente. Ninguém mais via o tal calombo que você insistia em dizer que estava ali em cima de seu nariz). Essa fase foi melhor do que a que você vive agora? Essas incertezas são mais “agradáveis” das que você vive hoje?

Eu não acho. A maturidade chega para nos trazer a certeza de que não devemos nada para ninguém. A maturidade nos mostra que não possuímos obrigação alguma de agradar quem quer que seja, a não ser a nós mesmas. E não confunda o que digo com acomodação, como ode ao esculhambo.  Não há bumbum empinado que pague a liberdade de fazer as próprias escolhas, valorizar o que temos e quem somos porque nos faz bem e isso não quer dizer andar largadona, esquisitona, não tomar banho. Isso é desleixo e eu desconfio de quem anda desleixada e propagando a todos os ventos que esse “é seu jeito”. Jeito de suja é sinônimo de depressão. Abra o olho. Ninguém anda por aí pensando: “ah, eu quero mais é ser suja mesmo, andar despenteada, com o cabelo cheio de nós, criando fungo!Eu quero é ser esquisita, chamar atenção, porque é a minha vibe, falou?” Ninguém almeja espantar os outros. Se almeja, cuidado! Recomendo um psiquiatra.

Arrume-se, maquie-se, cuide-se. Use todos os recursos que você achar interessante para se sentir bonita, bem cuidada.

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Arrume-se para você! O outro não é seu algoz. O outro não tem poder sobre sua vida. O gosto do outro é, apenas, o gosto do outro. Se não apreciar o seu rosto, problema é dele,  não seu. Ame-se! Aprenda a ser bonita do seu jeito, com o seu corpo, com suas rugas ou imperfeições.  Se desejar fazer um plástica para mudar o nariz, ok, o nariz é seu. Mude seu nariz e o arrume para ficar mais bonitinho, se é seu desejo. Desde que você não pense que tirar o calombo do nariz fará você parecer 20 anos mais jovem. Não vai. Não se iluda. Arrumar o que achamos que merece conserto? Beleza. Brigar com a natureza para voltar no tempo? É impossível! Quando temos 50 anos e resolvemos fazer uma abdominoplastia, sabe o que vai acontecer depois da cirurgia? Continuaremos sendo mulheres de 50 anos, com a aparência de cinquenta anos, porém com a barriga chapada. Não seremos novamente as meninas que fomos um dia. E está tudo bem!

Quando perdemos um amor, por exemplo, choramos rios de lágrimas. Natural chorar a perda. Natural nos sentirmos vazias, natural que tenhamos uma dose de sofrimento, até elaborarmos tudo. A perda não é o fim do mundo e chorar não vai nos trazer o amor de volta. Resultado: chorar até pode aliviar, mas não resolve a situação. O que resolverá é sua vontade de seguir adiante, a vontade de fazer alguma coisa para encontrar outro amor, a vontade de ser feliz com o que você tem. Assim é com a beleza dos 20 ou dos 30 anos. Adianta ficar chorando pela perda do viço? Não! Ele não vai voltar. A vida é o que é. Se não tem remédio, remediado está, é o que diziam os antigos e que se configura em uma grande verdade. Se não há jeito, porque você chora? Se não há jeito, então está decidido.  Você tem que lidar com o que tem agora. Ser bonita e se fazer bonita com as armas que possui. Valorizar o seu olho na maquiagem, mesmo que tenha ruguinhas em volta dele.

Todo mundo passa pelo escrutínio alheio. Tem gente que adora ver o outro mal. Tem gente de tudo que é tipo. Nós vamos sempre estar sujeitas ao olhar dos outros. Deixem que olhem, mas não deixe que dirijam sua vida. Não é o outro que paga suas contas. Você não deve nada para ninguém. A não ser a você mesma. Você “se deve” respeito, cuidados. Você “se deve” um olhar atento, amoroso. Você “se deve” uma pele bem cuidada e amada, com ou sem rugas. Você “se deve” alegria de viver.

O que você acha?

Conta aí?

E para continuar se cuidando, veja aqui a postagem sobre menopausa.

Beijos e me liga!

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