Cuidado com seus preconceitos!

A gente precisa de padrões para determinar o que é certo e o que é errado. Nós precisamos de modelos para seguir. Faz parte da natureza humana viver em sociedade e definir condutas como certas ou erradas. Pautamos nossas ações pelo que a maioria faz ou deixa de fazer. Acontece que a maioria pode estar errada. Já pensou nisso? Já pensou que os outros do grupo também fazem a mesma coisa e um fica esperando que o outro ofereça a mudança que todos almejam?

Dizer que algo é certo ou errado, na verdade, é o maior tiro no pé. Pouca coisas podem ser definidas assim. Roubar é errado. E se o seu filho estiver com fome, continuará sendo errado? Tem gente que acha que não. A verdade e a moral são relativas. Variam de pessoa para pessoa, mas sim, a gente tem a tendência a querer fazer o que a maioria faz.

Hoje todo mundo vive nas redes sociais. Nossas vidas íntimas se tornaram públicas. Muitas pessoas as criticam, usando argumentos como: todos mostram uma vida de mentirinha, que não vivem; as notícias falsas se espalham e isso faz mal para todo mundo; as brigas aumentaram exponencialmente através das redes, porque agora todo mundo tem conhecimento da vida dos outros, do pensamento dos outros.

E por acaso algum dia foi diferente? Algum dia não houve fofoca, brigas por opiniões diversas? Por acaso algum dia mães chegaram para buscar seus filhos na escola e deixaram de pintar um quadro maravilhoso da vida familiar? Nada mudou, realmente, mas há quem se ressinta das redes sociais, como se fossem as vilãs da humanidade.

Eu já ouvi, e não faz muito tempo, uma mãe dizendo que não deixava seu filho brincar com o filho de uma outra, já que seus pais eram separados. De forma velada – será? – ela estava dizendo que a criança seria um marginal e alguém não apropriado para estar com sua família. Essa pessoa estava brincando de ser Deus, julgando e condenando o filho da outra. Essa pessoa não estava conseguindo enxergar que o filho da outra é apenas uma criança, que não deve ser marcada assim, a ferro e fogo. Essa pessoa não estava podendo enxergar que a separação de um casal não define o caráter de cada indivíduo separadamente. Essa pessoa estava deixando de ver muitas coisas e perdendo de conviver com uma das crianças mais doces que eu já conheci.

Cuidado com seus preconceitos, com suas ideias pré-concebidas. Cuidado com aquilo que você aprendeu em casa, em seu grupo familiar e de amigos. As pessoas que nos amam fazem o melhor para nós, é claro, mas nem sempre elas estão enxergando o que é preciso ser visto.

Cuidado com os lugares-comuns: todo japonês é nerd, todo o judeu é pão-duro, todo alemão é frio. Há pessoas de todas as raças, de todas a cores, com jeitos diferentes.

Cuidado com os ódios aos casais homoafetivos, aos negros, às feministas. Cuidado com os “eu acho o YouTube incapaz de ter bons conteúdos”, “os jornalistas são mentirosos”,  ” as blogueiras são burrinhas”, “as novelas são coisa de gente que não tem o que fazer”. Não esqueça: tudo é relativo. Há gente bacana escrevendo em jornais. Há blogueira muito capaz, ganhando rios de dinheiro com seu trabalho que talvez você não entenda. Há um pessoalzinho aí no YouTube mandando muito bem.

Uma coisa é gosto pessoal, outra coisa é preconceito. É não gostar sem ao menos ter experimentado umas dez vezes. Uma coisa é gostar do vermelho e não do azul. Outra coisa é virar o nariz para as pessoas que gostam do azul. Entenda a diferença. O que é seu não é melhor do que as coisas dos outros. Apenas é seu gosto pessoal. Gostar disso ou daquilo não transforma o seu gostar em verdade absoluta. Os outros precisam ser respeitados.

Aqui em casa somos cinco pessoas. Cada um tem um jeito diferente. Imagina se fôssemos nos odiar por nossas opiniões? Há dois colorados, dois gremistas e uma pessoa que não gosta de futebol. Eu curto pop, meu marido ama “world music”, meu filho rock, minha filha mais velha adora um hip hop e a pequena gosta mesmo é de pular. Eu amo escrever, a mais velha ama ler e o filho? Nem a pau, Juvenal. Para os dois.

Viver em sociedade nos exige tolerância, cada vez mais. Evoluímos e já sabemos que não precisamos ir onde a boiada toda vai. Bois não pensam como nós. Nós podemos distinguir o mal do bem. Nós podemos enxergar o que é preconceito e o que não é.

Você pode não gostar de rúcula, mas há quem goste . O seu “não gostar” e o gostar do outro não os fazem melhor ou pior que ninguém. Experimente rúcula. Você pode se surpreender. Os patinhos feios sempre se transformam em belos cisnes no final da história, você sabia?

Beijos mis

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