E a tal da pós-verdade?

A coisa tá feia em nosso país…É um tal de desemprego crescente aqui, violência gritando dali, que chega a dar uma coisa ruim na gente. Ainda por cima, temos que lidar com a tal da pós-verdade, que virou moda no Brasil e no mundo. Você já ouviu falar dela?

Pós-verdade é um termo cunhado para identificar situações em que os fatos tem menor importância do que as crenças pessoais, ou seja, se você achar alguma coisa, é o que basta, mesmo que o fato escancarado na sua frente seja bem diverso. Onde vemos esse estratagema de mascarar a verdade para obter algum tipo de vantagem? Obviamente que na política. Temos uma penca de ministros, senadores, deputados, candidatos, sendo processados por corrupção, mas seus correligionários não querem acreditar. Ao invés de sentirem raiva por terem sido enganados, preferem achar que seus “bastiões da honestidade” estão sendo processados injustamente. Mas, meu! O cara foi filmado recebendo dinheiro do chefe do tráfico! Não, imagina, diz o outro. A filmagem era falsa. Tava escuro. Era um sósia. Não é verdade e ponto.

E isso é apavorante! Sim, porque os eleitores estão tomando decisões com base em sentimentos. Caramba! O voto é um direito, um dever e uma arma poderosa! Como assim votar tendo como base o “eu acho”? “Eu acho o fulano com cara de honesto”, “eu acho que ele não vai roubar do povo, afinal este é seu terceiro mandato. Se fosse desonesto já teria caído antes”, “eu acho que ele fará o que prometeu, porque senão a coisa vai pegar pro lado dele. Ele não teria coragem”.Achismos…Achismos que são chamados, hoje, por um nome mais bonito: pós-verdade.

Seu candidato está com a ficha limpa? No mandato anterior ele cumpriu com o que prometeu? Quais foram os projetos de lei por ele propostos? Ele batalha por uma causa ou pipoca daqui e dali, apenas tentando pegar o voto do eleitorado? O que você pesquisou a respeito do deputado que levou seu voto nas últimas eleições? Você buscou informações a respeito desse candidato? Infelizmente, a verdade é que a maioria responderia não para essas perguntas.

Parece coisa de criança, né? Tenho uma filha de 14 anos que, quando menininha, curtia assistir os DVDs do Sítio do Pica Pau Amarelo. Havia uma música que dizia “a Emília tomou uma pílula. Tagarelou, tagarelou, tagarelou, tagarelou sem parar” e Mariana cantava “a Emília tomou uma pérola. Agarelota, agarelota, agarelo-tagarelou sem parar”. Quando os adultos tentavam corrigir, ela dizia: “pra mim tá certo o jeito que eu canto”. E assim seguia a vida. A questão é que, na época, Mari tinha 3 ou 4 anos e era esperado esse comportamento. Nós, diferentemente, somos maduras e temos a caixola pensante bem desenvolvida (pelo menos deveríamos ter! 🙂 ). Não há desculpas para agirmos de forma tão impensada.

Em 2016 houve eleições no país, também os escândalos ligados à Lava-Jato. Em nível internacional, ocorreram as eleições americanas, o Brexit, as negociações entre o governo colombiano e a FARC.Nunca a pós-verdade foi tão usada! Se fosse uma calça, estaria surrada e esfarrapada.

Em terras tupiniquins, tivemos políticos repetindo as mesmas mentiras que vem sendo ditas ano após ano. Estamos cansados de saber. Isso não nos impediu de os eleger novamente. Nos EUA, Donald Trump não apenas mentiu como também exagerou muuuuito nessas doses de “pós-verdade”. Todo mundo sabia. Foi eleito. Entre outra coisas, dizia que Obama não era americano e que havia fundado o Estado Islâmico. Nessa onda, teve gente afirmando que ex-presidente americano era responsável pelos ataques terroristas de 11/09. Ninguém me contou não…Eu vi esta porcaria vertendo da boca de um cidadão americano. É…:( O homem nem perto estava da Presidência dos EUA naquela época.E, veja bem: não sou partidária de Obama.Não sou democrata e nem republicana. Como poderia? Sou brasileira e meu voto é exercido aqui. Ocorre que Trump simplesmente detonou com tudo, usou e abusou do uso da mentira deslavada, fazendo seus eleitores acreditarem no que ele criava, apesar de todos os fatos. As mentiras que usava foram uma estratégia bem sucedida de apelar para preconceitos e radicalizar o posicionamento do eleitorado.  Leia mais aqui.

Joseph Goebbels, chefe da propaganda nazista, já dizia: “uma mentira repetida mil vezes vira verdade”. O que aconteceu? Milhões de pessoas foram massacradas, retiradas de seus lares, roubadas, assassinadas sem dó. Goebbels criou mentiras, espalhou a boataria e a massa seguiu seu líder. Entre 1939 e 1945. Hoje, 2017, há os “revisionistas da história, que negam ter existido a matança de civis que todos conhecemos por Holocausto. Esses caras são grandes apoiadores da pós-verdade, como vocês sabem, porque distorcem a realidade mesmo com a comprovação exaustiva de todos os fatos horrendos que tentam negar.

Mas a pós-verdade não se resume à esfera política. Quanta bobagem é espalhada através das redes sociais! Muitas vezes, inclusive, replicadas por nós, supostamente mulheres inteligentes, capazes. Então, te faço um apelo: não acredite, simplesmente, porque leu em sua rede social favorita. Não confie em algo só porque era notícia no jornal ou na revista. Sim, jornais mentem também! Há muito jornalista por aí praticando a pós-verdade, descaradamente. Os meios de comunicação deixaram de ser veículos de transmissão de informações e viraram centros de entretenimento. Para divertir, vale qualquer coisa, inclusive usar imagens falsas e criar cenas que nunca existiram. Também não acredite em mim, só porque estou dizendo algo e você vem gostando das postagens. Não! Leve em conta todas as informações, mas busque a verdade, pesquise.

A gente sabe que, até hoje, tem maluco por aí dizendo que Elvis não morreu, negando-se a acreditar que o homem pisou na lua e que crê na lenda do monstro do lago Ness. É ou não é maluquice? Se a crença não se justifica através da doença mental, então só pode ser ignorância ou má fé, desejo de incitar as pessoas ao erro, de criar uma legião de seguidores, autômatos, que não pensam, que apenas reproduzem as bobagens que alguém com carisma espalha por aí.

Desejo a nós todas lucidez para não cair em nenhuma dessas esparrelas. Que possamos, todas, cultivar a boa índole, o conhecimento, a verdade. Mas o que é a verdade, Cláudia? Ah, momentos de pura filosofia, que deixamos para outro dia.

Beijos e me liguem!

 

 

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