Solidão: ame-a ou deixe-a

A Solidão é como um pássaro ferido

Que voou, mas está perdido, sem saber a direção

É como mão, sem outra mão, para bater palma

Como um Deus perdendo a calma, se ninguém pedir perdão

A Solidão é como um nome que se esquece

Como um homem que envelhece, sem viver o que sonhou

É como um transito em plena madrugada

É o poeta na calçada que ninguém, nunca, escutou

Solidões – Oswaldo Montenegro

 

Solidão..Como dói, não é? Como dói estarmos sozinhas, mesmo que acompanhadas. Como dói estarmos no meio da família, dos amigos e, mesmo assim, nos sentirmos apartadas de tudo e de todos. Como dói quando carregamos o peso do mundo nas costas!

Sim, existem dores que são nossas. As pessoas que nos amam até podem dizer que nos compreendem, mas entendemos que não. Sentimos que não conseguem acompanhar essa profundidade de sentimentos.

E quer saber? Não podem mesmo. E não é que os amigos e familiares não sejam solidários. Não se trata de não terem empatia. Se trata simplesmente de não poderem estar em nosso lugar, porque realmente as dores devem ser sentidas por nós, assim como as dores dos filhos são inteiramente deles. Nós que precisamos passar por certos aprendizados. Nós que precisamos crescer. A nós que foi dado certos fardos.

Você sabe o  que é fardo? Fardo é um embrulho,  um pacote pesado. Imagine um burrico carregando algo nas costas como na imagem a seguir:

Somos parecidas com ele. Nós também carregamos nossos fardos pesados. Cabe a nós darmos conta de nosso próprio desenvolvimento. 

Não se trata, aqui, de aceitarmos a solidão, a ausência de pessoas em nossa volta. Você sabe que estamos falando da “outra” solidão, aquela que sentimos mesmo não estando sós, não sabe?

Não sei quanto a você, mas eu acredito em propósitos maiores. Acredito que chegamos a esse mundo para crescer e nos tornarmos melhores. Temos problemas para que eles nos fortaleçam, para adquirirmos substância. Deixamos de ser rasas para termos sabedoria. Deixamos de nos preocupar com picuinhas para nos preocuparmos com que realmente importa. Deixamos de valorizar a opinião do outro para celebrar nossas próprias conquistas.

A dor pode parecer insuportável, muitas vezes. Aprendi, no entanto, que ela não nos quebra. Aprendi que vergamos, que podemos nos curvar até o chão e, assim mesmo não nos fragmentamos, porque somos capazes de buscar de dentro de nós uma força sem medidas.

Somos fortes, muito fortes! As vezes não podemos enxergar essa verdade, mas ela está aí para quem tiver olhos para ver. Somos maiores que tudo que nos acontece. Somos grandes! Desempenhamos inúmeros papéis, com excelência. Somos mães, esposas, donas de casa, profissionais. Levamos e buscamos da escola, tratamos machucados, fazemos comida, servimos lanches…E se falharmos? E quando não conseguimos? Tudo bem!!! Quem não falha? Quem pode nos julgar?

A solidão dói. Dói muito, mas é necessária. Precisamos nos ver sós para juntar todos os pedacinhos de nossa vida, para juntar todos os nossos cacos e, a partir daí, fazer nascer um ser mais completo, íntegro, superpoderoso. Precisamos aprender a lutar e é a solidão que nos permite enxergar que estamos prontas para tudo. No entanto, não fique remoendo suas dores. Não cultive o sofrimento. Não aumente aquilo que já te machuca o suficiente. Você não deve entrar numa espiral descendente de autopiedade, de melancolia, de desamor.

Precisamos parar e nos olhar no espelho com amor. O amor que dedicamos aos outros é o mesmo amor ao qual devemos nos agarrar para curar nossas almas. Nós precisamos aprender a nos amar muito, mas muito mais! Precisamos saber que somos as pessoas mais importantes de nossas vidas, acima de todas as outras. Quem não se ama, não tem como amar aos outros. Quem não se ama, não pode dar ao outro aquilo que desconhece.

Amar a si mesma pode fazer milagres por você. A dor não some, é verdade. Nada faz sumir a dor, a não ser o seu empenho, que deve ser gigante, para dar conta das situações que cercam sua vida. No entanto, o amor-próprio te ajuda a não sucumbir à tristeza e faz com que você busque alternativas para seus dramas. O amor-próprio te dá disposição para encontrar saídas, também para aceitar o que é inevitável. E como diz a oração da serenidade, é preciso ter

“… a Serenidade necessária para aceitar as coisas que eu não posso modificar ; coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma da outra ; vivendo um dia de cada vez ; desfrutando um momento de cada vez ; aceitando as dificuldades como um caminho para alcançar a paz…”

Aproveite a solidão. Aproveite tudo que ela te oferece. Não passe por ela em vão! Aprenda com os problemas. Desenvolva novas estratégias para lidar com as contrariedades. Entenda as adversidades como aliadas no caminho da evolução. Não é fácil, mas quem disse que seria? Só você pode fazer diferença na sua vida. Só você pode trilhar seus caminhos. Só você pode dar o próximo passo. E funciona assim: ou a gente vence, ou é vencida. O que você prefere?

Vamos fazer o seguinte: quem sabe passamos a ver os fardos que carregamos como momentos de aprendizado e não como problemas insuperáveis? Vamos virar essa chave? O problema, que nos aprisiona, pode se tornar o impulso para nos tirar do fundo do poço. 

Beijos em você.

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